domingo, 30 de setembro de 2007

No dia antes de sair para mais uma viagem...


Em menos de dois dias estou saindo para o norte do país. Estaremos ministrando para um grupo de pastores e parte do nosso time, auxiliado por algumas mulheres Moçambicanas, estará ministrando para um grupo de mais ou menos 100 mulheres, esposas de pastores, evangelistas, pessoas envolvidas no ministério de tempo integral.

Muita coisa passa por nossa cabeça. Como vai ser? Quem vai estar lá? Como vão receber o material a ser ensinado? Será que algo prático vai sair de tudo isto? Existem muitas indagações passam por nossas cabeças e corações. Mas no fundo a gente sabe que não adianta ficar pensando antes da hora e que Deus já está "lá em nosso futuro" esperando e preparando o terreno para que a semente possa frutificar.

É normal ficar pensando em tudo isto. E mais... pensar na família que fica pra trás, na segurança das coisas do dia a dia. No final das contas, o negócio é orar, orar e orar, confiando a Deus as nossas vidas e sabendo que ninguém pode cuidar melhor de todos nós do que Ele.

Existe uma outra luta interna quando nos dispomos a fazer aquilo que Deus quer. Existe uma dualidade que sempre vai existir no coração de qualquer missionário que teme o Senhor. É aquele negócio de dizer "Quem sou eu? ... Não hão de me ouvi" e ao mesmo tempo aquele sentimento de urgência e serviço que diz "Eis-me aqui, envia a mim." Aquele negócio de nunca se sentir adequado para o que está à nossa frente e ao mesmo tempo a ansiedade do coração que quer ser usado por Deus que diz "mal posso esperar estar lá e contribuir com aquilo que Ele tem colocado dentro de mim para abençoar outros."

Até certo ponto eu acho que esta vai ser uma eterna luta na vida dos missionários...

sábado, 22 de setembro de 2007

Sabado ... uma ótima tarde ... uma noite pra pensar!


Uma coisa que ninguém imaigna é o quanto no campo missionário nós precisamos uns dos outros. Acabo de voltar de um tempo muito bom com um casal por quem temos um carinho muito grande. Ela é a ex-professora, muito amada, do Rafa... ele um bom amigo e que tem trabalhado com afinco para ver a melhoria de comunidades em Moçambique. Conversamos muito, trocamos idéias, fizemos muitas perguntas uns aos outros ... e, claro, terminamos o nosso dia orando juntos, com abraços ... e o Senhor acabou colhendo algumas lágrimas de olhos que sinceramente buscam com ansiedade mirar somente nEle em face às lutas do dia a dia.
Mais uma vez confirma em mim que antes mesmo da agência missionária enviar um missionário para o campo, a verdadeira agência é a igreja local que envia. Esta deve ter a maior responsabilidade pelo missionário. O cuidado com o treinamento antes do envio e o pastoreio do enviado são responsabilidades marcantes da igreja local e a ela todo missionário deve prestação de contas. Não temos como fugir a isto. É bíblico, faz sentido e isto fortalece a convicção do missionário que não está a sós no campo.
Uma outra coisa que confirma ao meu coração é que nós podemos e temos que ser usados por Deus para auxiliar, ministrar e pastorear uns aos outros quando a necessidade se apresenta. Não podemos abandonar a idéia que como corpo nós precisamos uns dos outros para encorajar, admoestar e exortar uns aos outros (todas os três verbos são praticamente sinônimos). O privilégio é só nosso quando podemos fazer parte daquilo que Deus pretende e quer no crescimento nosso "de cada dia" longe da nossa terra natal. Afinal de contas, nossa pátria está nos céus ... e aqui estamos de passagem, peregrinos numa terra estranha!

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Hoje é 11 de Setembro.


De uma maneira geral, todo mundo lembra onde estava naquele fatídico 11 de setembro de 2001. Eu e Sinara estávamos em Cape Town. Rafael estava a caminho, falando 4 meses para nascer. Como qualquer um, eu estava parado em frente à TV sem poder dizer nada... aliás, sem querer dizer nada. Cada vez que penso naquele momento penso também na necessidade de me entregar ainda mais à unica tarefa que realmente pode transforma este mundo: o espalhar do Evangelho entre os povos da terra.

Seis anos mais tarde, estava eu com um grupo de quatro outras pessoas que amam a Jesus conversando e deliberando sobre o primeiro mestrado de teologia ministrado em Moçambique, em Portugues, para Moçambicanos. Que contraste! Duas realidades totalmente diferentes daquela que experimentei 6 anos atrás.

Eram dois brasileiros, um alemão, um americano e uma Moçambicana colocando as cabeças juntas para pensar ainda mais em como transformar Moçambique também através de um melhor preparo teológico para aqueles que podem ser agentes de transformação neste país.


Foi um dia longo. Retorno para casa e gasto um tempo com aquele que estava para vir ao mundo 5 anos atrás - o Rafael. Enquanto assistíamos um pouco de uma rede de notícias tive que explicar a ele o que aconteceu seis anos atrás ... e como este acontecimento tem trazido uma dinâmica totalmente diferente neste mundo.
Dizem que a partir daquela data histórica nunca mais seremos os mesmos. De uma certa forma, sempre seremos os mesmos: vivendo num mundo cada vez mais desesperançoso com a necessidade da Esperança maior. Somos marcados pela mancha que destrói a nossa natureza humana, que continua resistindo à irresistível Graça. Continuamos correndo para longe do nosso Criador enquanto Ele continua de braços abertos e nos convidando para vir e descansar nEle. Tanta coisa, não é mesmo?

Hoje à tarde foi como viver no microcosmo de tantas coisas que acontecem neste mundo. Enquanto o espírito e desejo de destruição está lá fora, a nossa missão maior era procurar maneiras de fortalecer o ensino para aqueles que podem de vez transformar a face deste nosso Moçambique sofrido. Que privilégio! Que honra! Sabe de uma coisa? Nós nos sentimos sempre inadequados para fazer o que estamos aqui para fazer ... mas por outro lado, sabemos que Ele, o dono da Seara e da Colheita, decidiu chamar a nós e não a outros ... dá um arrepio no coração só de pensar! Porque sabemos das nossas limitações e fraquezas ... que se for apenas na nossa força e sabedoria própria, o estrago pode ser maior que o de 11 de setembro de 2001. Mas Ele é quem faz e produz em nós tanto o querer como o realizar - este é o nosso consolo.

E um montão de amigos e irmãos por este mundo afora se tornaram os braços e mãos do Pai para nos enviar... não nos descansamos em assumir que isto deveria ter acontecido de qualquer forma. E, claro, muitos deles não sabem que foram a mão e boca do Dono da Colheita para nos enviar, encorajar e ajudar-nos a permanecer onde Ele quer que fiquemos.

Um abraço ... que Ele o sustente hoje.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Uma noite normal no campo.

Existe também aquela idéia errada que missionário vive lendo a Bíblia, orando e pregando o dia inteiro... bom, não é só isto mas também não é isto o tempo inteiro. Uma das coisas que a gente faz muito no campo é interagir com outros missionários, trocando experiências e também pedindo opinião em alguns assuntos que a gente anda aprendendo. Hoje à noite tivemos aqui em casa um casal de missionários que há muito tempo tem trabalhado na área de educação teológica e escrevendo livros que retratam as realidades do sul da Africa. Ele é um grande amigo e temos crescido juntos enquanto compartilhamos as nossas lutas e limitações. Ela, também uma grande amiga, veio aqui pra comermos pão de queijo juntos e trocarmos algumas idéias. Ficaram um pouco, conversamos bastante ao redor da mesa tomando cafezinho e comendo pão de queijo. Foram embora às 6:30 após termos umas duas horas de bom bate papo.

Passou mais um pouco de tempo, duas outras missionárias vieram para comer um pedaço de torta e trocar idéias sobre outros assuntos - estes mais amenos. Claro, durante o tempo todo Rafael ficava me chamando para jogar algo no computador com ele.

Neste meio tempo todo, Sinara voltou da ginástica, gastou tempo com as duas missionárias também ... e o Rafael depois disto tudo caiu na cama, reclamando que o papai colocou pijama nele mesmo depois dele pedir para não colocar (a esta altura ele já estava pra lá de cansado), e em menos de cinco minutos caiu em profundo sono.

O campo missionário é cheio de coisas ordinárias também... coisas que não são tão "santas" assim como sempre imaginamos... o campo missionário é também humano, com uns lampejos de prazeres terreais na risada alta, na alegria da boa conversa sobre coisas engraçadas que nem sempre "enquadram no versículo tal." Assim, aprendemos uns dos outros com as coisas simples da vida, aprendemos a rir de nós mesmos e compartilhar as nossas "esquisitices" sem mesmo pensarmos em condenar ou julgar uns aos outros ... aprendemos a dar gargalhadas que cortam o ar com a alegria do coração ... simplesmente pelo fato de estarmos juntos e, ali, sermos família de várias famílias que nem sempre tem família por perto. É algo muito interessante...

Esta foi mais uma noite extraordinária, ainda que normal ... é aprendendo a ver o extra-ordinário dentro da normalidade! Simples, né?

Por onde começar?

Esta é sempre a pergunta que qualquer um tem quando começa um blog. Muitos amigos sempre perguntam pra gente o porque de morar tão longe, de ir pra Africa (como se aqui fosse o fim do mundo) e também a pergunta clássica: quando é que vocês voltam para o Brasil?

Eu, Barbosa, faço parte de uma geração que sonhou e muito em fazer algo significativo dentro deste mundo que possa fazer uma diferença real na vida de muitos. Dentro da igreja evangélica isto significa dizer viver o evangelho de maneira prática, que possa influenciar outros em direção aos propósitos de Deus para a vida destas pessoas.

Parte deste sonho foi também me entregar completamente ao ministério do Evangelho quer seja no Brasil como no além mar, a despeito das nossas limitações e a despeito de nós mesmos. Tem sido uma caminhada fascinante. Ora com as lutas que sempre são muitas e ora com as alegrias, as recompensas da vitória naquilo que colocamos a mão para fazer.

Morei na Suazilândia por seis anos trabalhando como missionário, como parte de um time, e depois mais sete em Johannesburg, na Africa do Sul. Estamos terminando o quinto ano em Moçambique e gosto e muito do que faço: treinando pastores e líderes, mobilizando-os para um movimento de implantação de igrejas saudáveis onde elas ainda não existem e também para um movimento de saturação de igrejas saudáveis. É um trabalho fascinante, fora de série, e que energiza qualquer um. Claro, tem as suas dores de cabeça mas bem diferente daquelas que temos quando estamos pastoreando (cada dor de cabeça no seu lugar!).